Imagem de carne bovina nos EUA J. Scott Applewhite/AP Nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, a carne está no cardápio. Democratas e republicanos discutem os preços altos e a guerra com o Irã, mas também disputam quem gosta mais de carne.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O exemplo mais recente veio nesta semana, no Mississippi, em que o candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos, Scott Colom, divulgou um vídeo com um trecho da senadora republicana Cindy Hyde-Smith, atual ocupante do cargo, dizendo que, se os consumidores estão insatisfeitos com os altos preços da carne bovina, "há muitas outras opções de proteína para escolher".
O vídeo então corta para um homem preparando hambúrgueres na churrasqueira, que diz: "Escolher outra proteína? Eu prefiro escolher outro senador." Congressistas dos EUA acusam Trump de tentar influenciar nas eleições brasileiras A disputa no Mississippi é um tanto incomum porque é o democrata quem está atacando a republicana por causa da carne bovina.
Em outras partes do país, os republicanos têm retratado os democratas como veganos ou contrários ao consumo de carne, tentando mostrar que eles estão culturalmente desconectados dos eleitores, são hostis às indústrias pecuárias locais ou simplesmente não são masculinos o suficiente.
No Texas, republicanos resgataram uma declaração de 2022 em que o democrata James Talarico, atual candidato ao Senado dos EUA, comemorava o fato de sua campanha eleitoral ter deixado de comprar carne e passado a adquirir apenas produtos veganos de estabelecimentos locais. Desde então, Talarico tem aparecido publicamente comendo churrasco para rebater as acusações de que suas escolhas alimentares significam que ele não é um texano de verdade.
LEIA TAMBÉM: Agrotóxicos, água e câncer: por que a saúde virou tema das eleições em potência agrícola dos EUA Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição O candidato democrata ao Senado James Talarico discursa durante um comício em 13 de julho de 2026, em Eagle Pass, no Texas, Estados Unidos.
(Foto: AP/Brenda Bazán, Arquivo) O candidato acusado de ser anti-carne No Colorado, os republicanos têm atacado o candidato democrata ao Congresso Manny Rutinel por seu ativismo contra a produção de carne e a pecuária industrial. Na faculdade, ele foi fotografado sem camisa usando no peito uma faixa da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA). Em 2021, Rutinel fundou a Climate Refarm, organização que defendia a redução do consumo de carne.
Ele também assinou cartas defendendo o aumento de impostos sobre carne e laticínios. Além disso, apoiou uma proposta submetida a votação em 2024 para proibir um abatedouro de cordeiros em Denver, que acabou fracassando. Rutinel, de 31 anos, agora disputa uma vaga contra Gabe Evans, o republicano que representa o 8º distrito congressional do Colorado.
A vasta região no nordeste do estado é pontilhada por ranchos, fazendas leiteiras e unidades de processamento de carne, incluindo a sede da gigante da carne bovina JBS Swift. Os republicanos têm explorado intensamente o histórico de defesa do veganismo de Rutinel, a ponto de o grupo conservador de mídia Daily Wire divulgar nesta semana um vídeo gravado de forma oculta em que um integrante da campanha afirma que ele come carne "o mínimo possível".
Rutinel tem feito questão de aparecer em público comendo tacos de carne durante a campanha e conta com o apoio do sindicato dos trabalhadores da indústria frigorífica. "Não acho que os moradores do Colorado se importem com o que está no meu prato", disse ele em entrevista após uma recente parada de campanha. "Acho que eles se importam mais em conseguir pagar pelo que está no prato deles." Evans afirma que a questão vai além das preferências alimentares do adversário.
"Não me importo com o que ele come pessoalmente", disse Evans em entrevista. "Importa-me que ele queira usar o poder do governo para fazer todo mundo comer dessa forma."



