Adolescente de 14 anos é morta a facadas e polícia investiga ex-padrasto por feminicídio A Justiça aceitou a denúncia contra o ex-padrasto acusado de matar a adolescente Alice Levandoski Nitz, de 14 anos. De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a vítima foi morta em 17 de agosto, após um desentendimento relacionado a questões financeiras. Wagno Arezi Henika, de 40 anos, se tornou réu pelo crime de feminicídio.
O homem segue preso preventivamente. Alice foi encontrada sem vida na casa do ex-padrasto, em Encantado, no Vale do Taquari. Ele foi preso no dia seguinte.
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Conforme o MPRS, o crime foi praticado em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Na denúncia, consta que o ex-padrasto "desferiu-lhe golpes de martelo" e, na sequência, "munido de uma faca, desferiu repetidos golpes", provocando a morte de Alice ainda no local.
O g1 procurou o advogado Márcio Arcari, que representa Wagno, mas ele não havia retornado até a última atualização desta reportagem. Adolescente o tratava como pai O inquérito da Polícia Civil foi concluído no dia 27 de agosto. Segundo a polícia, a vítima tratava o ex-padrasto como pai e continuava em contato com ele mesmo após ele e a mãe se separarem, cerca de um mês antes do crime.
Como os dois moravam no mesmo bairro, a poucas quadras de distância, a presença da adolescente no imóvel era considerada algo habitual. A adolescente perdeu o pai ainda na infância e o padrasto, com quem a mãe iniciou um relacionamento quando ela tinha um ano de vida, tornou-se uma figura paterna. Ele não tinha histórico de desavenças com a ex-companheira e mantinha uma relação considerada amigável, tanto com a mulher quanto com as filhas dela.
Ainda conforme a delegada Dieli Caumo, a perícia não encontrou nenhum vestígio de violência sexual e confirmou que a morte foi causada pelas facadas. Em depoimento, o homem confessou à polícia que matou a ex-enteada. "Começou uma discussão e ele 'perdeu a cabeça', nas palavras dele", diz a delegada.
Conforme a polícia, Wagno exercia uma posição de controle sobre a jovem. "Ele era bem rígido, quase beirando a uma violência psicológica, pelas informações das testemunhas", afirma a delegada. Adolescente era dançarina, declamava poesia e jogava futsal Quem era a adolescente Alice é lembrada pela comunidade escolar como uma jovem inteligente e talentosa.
Ela estudava na Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Jardim do Trabalhador desde a educação infantil. Segundo a vice-diretora Karina Belotti Cenci, a jovem tinha forte ligação com as artes: declamava poesias e era integrante do grupo de dança tradicionalista da instituição, o Oigalê. "Sempre pronta, com sorriso, cheia de vivacidade", diz Karina.
A paixão pelo tradicionalismo era compartilhada com os três irmãos, que também passaram pelo projeto. Alice jogava futsal em um clube local, o Fênix FC Futsal Feminino.
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