Casal relata agressão em festa na UFRJ Reprodução Um casal denuncia que foi vítima de agressões de cunho homofóbico em uma festa organizada por alunos da UFRJ na sexta-feira (18). O caso aconteceu no campus do Fundão, por volta das 23h. Guilherme Couto, 34, e Pablo Dominguez, 26, prestaram queixa à Polícia Civil na mesma noite e passaram por exame de corpo de delito.
O episódio ocorreu durante em uma edição da "Pizzada", festa de recepção de calouros organizada por alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ. Em nota de repúdio publicada nas redes sociais, a organização do evento lamentou o ocorrido e manifestou apoio à denúncia. As vítimas foram intimadas a depor na próxima semana.
Em vídeo publicado nas redes sociais de Pablo Dominguez, eles relatam relatam que sofreram provocações e agressões físicas - entre elas um soco e chutes - de um grupo de homens. A dupla pediu para que pessoas que tenham registros do momento, ou que queiram ajudar como testemunhas, entrem em contato. Até agora, porém, o apelo não gerou resultado: "Ninguém que tenha testemunhado entrou em contato dizendo reconhecer os agressores", relata Guilherme.
Couto, que é professor substituto e aluno de doutorado na universidade, trabalhou normalmente na semana seguinte à festa. Ele diz ter recebido apoio da comunidade acadêmica, incluindo manifestações de Centros Acadêmicos: "Os alunos têm se mostrado bastante solícitos e empáticos." Dominguez é estudante e modelo, mas não está trabalhando no momento.
Agora no g1 O caso Em vídeo das redes sociais, casal faz apelo por testemunhas Reprodução No vídeo publicado nas redes sociais, Couto e Dominguez relatam que estavam acompanhados de uma amiga quando teriam sido alvo de provocações homofóbicas e sofreram um esbarrão de um homem desconhecido. Eles saíam do prédio da Reitoria da UFRJ, próximo à área onde acontecia a Pizzada.
Após a amiga que os acompanhava intervir para apartar a briga, o homem teria desferido um soco contra Guilherme, que foi então derrubado e cercado por um grupo de cerca de cinco pessoas, que passaram a chutá-lo. Outros frequentadores da festa intervieram e conseguiram interromper a agressão. Segundo a denúncia, no entanto, ao seguir para o ponto de ônibus mais à frente, o casal reencontrou o mesmo grupo.
Guilherme tentou então filmar os agressores para identificá-los, e um deles tentou agredi-lo novamente. Ele afirma ter se defendido com um soco. A partir daí, o restante do grupo se aproximou e agrediu o casal coletivamente.
A briga só terminou quando pessoas ao redor intervieram. Segundo o casal, é possível que outras pessoas tenham sido agredidas naquele dia, e eles pedem que testemunhas e eventuais outras vítimas procurem os canais de denúncia para ajudar na identificação dos responsáveis. Pablo sofreu uma luxação no polegar e um rasgo na pele; o dedo precisou ser imobilizado, e ele teme sequelas.
Os dois têm ferimentos visíveis no rosto, e Guilherme foi mordido por um dos agressores. Denúncia à Polícia Civil Mão direita de Pablo sofreu luxação e ferimentos na pele Reprodução As vítimas registraram a denúncia na 44ª DP (Inhaúma), e o caso foi encaminhado à 37ª DP, na Ilha do Governador. Na madrugada de sábado, eles foram à UPA de Del Castilho.
Segundo o casal, o atendimento na UPA não deixou claro o grau de urgência da luxação de Pablo. No dia seguinte, durante o exame de corpo de delito no IML, o legista teria orientado que os dois procurassem um hospital. Eles foram então ao Hospital Municipal Souza Aguiar, onde Pablo fez uma radiografia que foi anexada à denúncia.
O casal contou ainda que foi intimado a depor na próxima semana, quando pretende entregar o vídeo dos agressores. Eles ainda devem fazer exames de imagem da cabeça para descartar traumas na região, que também teria sido alvo de chutes. Falta de apoio da Universidade Guilherme conta que, em outros eventos semelhantes no mesmo campus, era comum haver ambulâncias de plantão e patrulhamento da Coordenação de Segurança (Diseg) da UFRJ, responsável pela proteção do patrimônio público e pela vigilância.
No dia da Pizzada, no entanto, nenhum dos dois estava presente. Mesmo sendo aluno e professor da instituição, ele ainda não recebeu contato oficial da UFRJ. Guilherme afirma ter registrado denúncia formal na ouvidoria da universidade na manhã de segunda-feira (21): "No entanto, aos meios de comunicação, eles informam que ainda não receberam nenhuma notificação".
Couto relata que a sensação de insegurança em eventos nos campi da universidade é comum, principalmente em relação a furtos de celular: "No momento em que o autor principal da agressão esbarrou em mim, muito bruscamente, pensei que fosse uma distração para um furto. Mas nunca tinha passado por uma situação de agressão." Essa foi a terceira vez que Pablo, acompanhando Guilherme, foi a uma festa na Universidade. Para o casal, pode ser difícil voltar a eventos similares no futuro.
"Eu gostaria, sim, de voltar. E acho que é importante a gente não se amedrontar, do ponto de vista político mesmo, para não nos tornarmos reféns da violência. Mas não sei se vou conseguir, e, mesmo que consiga, não sei se conseguiria desfrutar da festa ou se ficaria ansioso." Nas redes sociais, o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFRJ) manifestou apoio ao casal.
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso foi registrado na 44ª DP (Inhaúma) e encaminhado à 37ª DP (Ilha do Governador), e que as diligências para apurar os fatos estão em andamento. A UFRJ confirmou que, no dia 21 de setembro, pelo canal Fala BR, recebeu o relato de agressão sofrida por Luiz Guilherme Couto e Pablo dos Santos Domingues. Foi aberta uma sindicância para apurar a denúncia.



