Candidatos ao governo do Distrito Federal participam de quarto debate. Metrópoles/Reprodução Candidatos ao Governo do Distrito Federal participaram, nesta quinta-feira (10), de mais um debate da campanha eleitoral de 2026. O encontro, promovido pelo portal Metrópoles, foi o quarto realizado entre os concorrentes ao Palácio do Buriti e reuniu os postulantes ao cargo para discutir propostas e temas de interesse da população do DF.
O debate se resumiu, praticamente, à troca de farpas, acusações e direitos de resposta — só no primeiro bloco, oito respostas foram concedidas. O evento reuniu seis candidatos ao Palácio do Buriti: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB). No último debate, a governadora Celina Leão (PP), que disputa a reeleição, não participou do encontro.
A assessoria da candidata informou que a decisão foi tomada porque, segundo a campanha, ela havia sido alvo de fortes críticas dos adversários nos debates anteriores. Debate do g1 com candidatos do DF ao Senado será nesta sexta; saiba quem participa, horário, regras e como assistir Baixe o app do g1 para receber notícias da eleição 🔍 O primeiro turno será em 4 de outubro; segundo turno, se houver, no dia 25 de outubro.
30 anos da urna eletrônica: como ela evoluiu nas eleições brasileiras O encontro foi dividido em três blocos: No primeiro bloco, os candidatos fizeram perguntas entre si. Já no segundo bloco, os concorrentes responderam a questionamentos preparados por jornalistas do veículo. Ao final, no terceiro bloco, uma nova rodada de perguntas entre os candidatos, seguida das considerações finais de cada participante.
Primeiro bloco Inicialmente, cada candidato teve um minuto para se apresentar aos eleitores e destacar as principais propostas de campanha. O primeiro confronto direto do debate ocorreu entre Paula Belmonte (PSDB) e Celina Leão (PP). Paula questionou a governadora sobre uma 'contratação envolvendo uma empresa ligada ao marido e à filha de Celina'.
Candidata ao governo do DF Paula Belmonte (PSDB) participa de quarto debate. Metrópoles/Reprodução A candidata à reeleição negou irregularidades e afirmou que o negócio é privado e não envolve recursos públicos. Em seguida, as duas trocaram acusações sobre contratos, dívidas e processos envolvendo familiares e aliados políticos.
O segundo a perguntar foi Leandro Grass (PT), que escolheu José Roberto Arruda (PSD) para responder a uma pergunta sobre a relação da governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) com a gestão de Ibneis Rocha (MDB). Grass citou integrantes do atual governo que permanecem próximos à campanha de Celina e questionou se uma eventual vitória da candidata representaria a continuidade da atual administração. Candidato ao governo do DF Leandro Grass (PT) participa de quarto debate.
Metrópoles/Reprodução Na resposta, Arruda afirmou que vê continuidade entre os governos de Ibaneis e Celina e fez críticas à gestão nas áreas de saúde, educação e transporte público. O candidato também mencionou a atuação do BRB e contratos do governo. Na réplica, Grass voltou a associar a candidatura de Celina ao atual governo e criticou indicadores da educação pública do DF.
Na tréplica, Arruda afirmou que Brasília enfrenta problemas fiscais e defendeu a redução de gastos públicos, além de prometer diálogo com o governo federal para tratar da situação do BRB e de outros temas administrativos. Terceira a perguntar, Celina Leão (PP) escolheu Paula Belmonte (PSDB) para responder a uma pergunta sobre a situação financeira da adversária e repasses do BRB para uma entidade ligada à candidata.
Celina questionou a capacidade de gestão de Paula diante de dívidas atribuídas à família da tucana e citou recursos destinados à AMP. Na resposta, Paula afirmou que a associação mencionada recebeu recursos para atender crianças em situação de vulnerabilidade e negou irregularidades. A candidata também rebateu as críticas da governadora, acusou a adversária de distorcer informações e defendeu sua trajetória política.
Na réplica, Celina voltou a questionar a condição financeira da adversária e negou ter utilizado a família da candidata para ataques pessoais. Na tréplica, Paula rejeitou as acusações, pediu direito de resposta e afirmou que sua atuação política é independente. Kiko Caputo (Novo) escolheu Leandro Grass (PT) para responder a uma pergunta sobre corrupção e gestão pública.
Caputo afirmou que os partidos tradicionais já governaram Brasília e perguntou se o atual governo tem combatido efetivamente a corrupção. Na resposta, Grass afirmou que a atual administração não combate a corrupção e citou investigações, condenações e denúncias envolvendo integrantes do governo. O candidato também criticou indicadores nas áreas de saúde, educação e assistência social, além de associar os problemas do DF à gestão de Ibaneis Rocha e Celina Leão.
Na réplica, Caputo afirmou que o problema do DF não é falta de recursos, mas de gestão, transparência e responsabilidade na administração pública, defendendo a necessidade de um "choque de honestidade" no governo. Na tréplica, Grass voltou a criticar a condução do GDF e apresentou propostas para áreas como segurança alimentar, atendimento à população idosa, educação infantil e habitação.
O petista defendeu a ampliação da rede de restaurantes comunitários, a construção de creches públicas e a retomada de programas habitacionais voltados à população de baixa renda. Ricardo Cappelli (PSB) questionou Kiko Caputo (Novo) sobre segurança pública. Ao apresentar o tema, Cappelli citou dados sobre roubos de celulares, feminicídios e arrombamentos de estabelecimentos comerciais no DF e pediu que o adversário apresentasse propostas para enfrentar o problema.
Na resposta, Caputo defendeu maior presença do Estado nas ruas, valorização das forças de segurança e ampliação do uso de câmeras de monitoramento com tecnologia de reconhecimento inteligente. O candidato também apresentou propostas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, com a criação de espaços especializados de atendimento a grupos vulneráveis.
Na réplica, Cappelli defendeu o aumento do efetivo policial, o fortalecimento das delegacias de atendimento à mulher e ações para enfrentar a situação da população em situação de rua. Na tréplica, Caputo atribuiu o aumento da população em situação de rua a falhas em políticas públicas e defendeu a geração de emprego e renda como forma de reduzir a vulnerabilidade social e melhorar a segurança.
No último confronto do primeiro bloco, José Roberto Arruda (PSD) questionou Ricardo Cappelli (PSB) sobre a gestão dos recursos públicos. Arruda comparou o orçamento do DF ao de outros estados e perguntou como o adversário pretende melhorar a aplicação desses recursos. Na resposta, Cappelli afirmou que o problema do DF não é falta de dinheiro, mas a destinação dos recursos.
O candidato citou sua experiência no Maranhão e defendeu mais investimentos em educação, valorização dos professores e políticas voltadas à inclusão de estudantes com deficiência. Na réplica, Arruda voltou a criticar gastos do governo e mencionou denúncias envolvendo aliados da gestão de Celina Leão. Na tréplica, Cappelli rebateu as críticas e afirmou que recursos públicos não estão chegando aos serviços essenciais.
Segundo bloco No segundo bloco, os candidatos responderam a perguntas feitas por jornalistas do veículo, com direito a réplica dos entrevistadores e tréplica dos concorrentes. A primeira a responder foi Celina Leão (PP). Em resposta à pergunta sobre a política para pessoas em situação de rua, a candidata defendeu o programa de internação involuntária criado em sua gestão e afirmou que a medida é apenas uma das etapas de uma política mais ampla de acolhimento.
A candidata disse que o governo já mapeou e desocupou áreas ocupadas por barracas, ofereceu assistência social e capacitação profissional e prevê a transferência do Centro Pop da Asa Norte. Segundo Celina, as ações já contribuíram para a redução dos índices de violência em regiões do DF e a internação só ocorre após avaliação médica e cumprimento de critérios específicos.
Na réplica, o jornalista questionou os critérios adotados para a internação involuntária e perguntou como o governo evita que a medida seja usada como forma de "limpeza social". Na tréplica, Celina Leão afirmou que a decisão depende de avaliação médica e defendeu a ampliação da rede de saúde mental. "Não é uma imposição, não é uma higienização social.
A junta médica faz uma análise", disse a candidata. Ricardo Cappelli (PSB) foi questionado sobre investigações envolvendo sua passagem pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o suposto uso da estrutura do órgão para promover sua pré-campanha. O candidato contestou a pergunta, afirmou que parte das denúncias já teria sido arquivada e criticou a jornalista responsável pelo questionamento.
Na réplica, a jornalista reiterou que as investigações seguem em andamento e voltou a perguntar se Cappelli adotaria práticas semelhantes em um eventual governo. Na tréplica, o candidato manteve as críticas à pergunta e desviou o foco para ataques à gestão de Celina Leão (PP), citando supostas irregularidades relacionadas ao BRB e problemas nas áreas de saúde e educação. Leandro Grass (PT) foi questionado sobre segurança pública e o avanço de facções criminosas em estados governados pelo seu partido.
Em resposta, o candidato afirmou que a responsabilidade pela segurança é dos governos estaduais e defendeu três medidas: valorização das forças policiais, integração entre as corporações e ampliação do trabalho de inteligência para combater o crime organizado. Na réplica, o jornalista abordou o aumento dos casos de feminicídio no DF e perguntou quais ações concretas seriam adotadas para enfrentar o problema.
Na tréplica, Grass defendeu o fortalecimento da rede de proteção às mulheres, a ampliação dos canais de denúncia e dos espaços de acolhimento, além de políticas que garantam autonomia financeira às vítimas de violência doméstica. A candidata Paula Belmonte foi a sorteada para responder a quarta pergunta. A deputada foi questionada sobre uma fala em relação a servidoras do gabinete de outro deputado, em que, segundo a repórter, ela teria dito que as funcionárias fizeram “teste do sofá”.
Questionada sobre como conciliar o discurso sobre o direito das mulheres com a fala, classificada como vexatória para as envolvidas, Belmonte negou a fala. “Na época, eu fui questionada por uma jornalista o quais eram as denúncias se existia teste do sofá. Eu falei “olha, se existe teste do sofá, o Ministério Público vai investigar”, afirmou.
Ela usou o momento ainda para criticar o que chamou de “violência silenciosa” contra a mulher, o que inclui o assédio moral. Kiko Caputo foi questionado sobre denúncia de que teria dado imóveis como garantia de um empréstimo feito junto ao BRB na época em que era presidente da OAB-DF sem passar pelo Conselho. O candidato aponta parcialidade na análise das contas, feitas pela gestão adversária.
Na época, ele perdeu a eleição para o ex-governador Ibaneis Rocha. “Então, você já imagina que ele teria talvez um rigor um pouquinho excessivo, mas o tempo passou e eu recorri para o Conselho Federal. E o Conselho Federal, que é um órgão isento do sistema da OAB aprovou as contas por unanimidade”, declarou.
Questionado sobre as sete condenações que motivaram a inelegibilidade na campanha, Arruda afirmou que as provas contra ele são nulas. “O TRE, que disse que as provas contra mim eram nulas, me torna impedido de concorrer com base em condenações baseadas nas provas que ele anulou”, afirmou. Arruda também criticou o que chamou de falta de isonomia no debate para favorecer a governadora Celina Leão.
O candidato chegou a sair do lugar destinado a ele para pedir direito de resposta. Episódio ocorreu após um pedido conjunto entre Arruda, Caputo, Cappelli, Grass e Belmonte sobre desigualdade no tratamento pelos jornalistas ser negado. Terceiro bloco A troca de acusações persistiu no terceiro bloco, com destaque para a plateia.
Durante diversos momentos, a mediação do debate precisou pedir silêncio do público para que os candidatos conseguissem concluir as falas. A governadora Celina Leão foi a candidata que sofreu mais interferências e chegou a ser vaiada pelos espectadores. Os presentes também aplaudiram falas de outros candidatos.
Após questionar a governadora sobre gastos com publicidade, Kiko Caputo afirmou que protocolou uma ação no TRE para questionar o aumento dos repasses nas gestões de Celina e Ibaneis. A deputada Paula Belmonte também criticou a adversária pelo uso de celular durante o debate, crítica feita também contra Celina no segundo debate, em 1º de setembro. Ricardo Cappelli também precisou entregar o celular para a equipe após pedido da mediação.
O uso do aparelho é proibido pelas regras do debate. Após os direitos de resposta do terceiro blobo, o Metrópoles também emitiu comunicado em que lamentou ataques de Cappelli à jornalista do veículo. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.



