De onde nasce uma pauta? g1 lista 10 ações que ajudam repórteres a levantar reportagens Todo jornalista já ouviu a pergunta: "como vocês descobrem as reportagens?". E não existe uma única resposta para este questionamento.
A pauta jornalística pode ter várias origens: uma conversa com fontes, de um problema observado nas ruas ou até de uma dúvida aparentemente banal. Para servir como dicas para os participantes do "Foca EPronto", concurso de jornalismo universitário promovido pelo GrupoEP em parceria com a PUC-Campinas, o g1 reuniu 10 ações que repórteres costumam fazer para buscar histórias com potencial jornalístico.
🔎 No jornalismo, pauta é o roteiro de planejamento que orienta a produção de uma reportagem, definindo o tema, o enfoque, as fontes, os dados já conhecidos e os aspectos que precisam ser apurados pelo repórter. Veja o passo a passo para participar do concurso Confira o regulamento aqui Redação de Jornalismo do Grupo EP, em Campinas Isadora de Paiva Antes das dicas, um lembrete: não existe fórmula mágica. Em comum, bons jornalistas costumam ter algumas características.
São curiosos, observadores, conversam com pessoas, fazem perguntas e não se contentam com respostas pela metade. Uma regra vale para qualquer pauta: se você ficou com uma dúvida, provavelmente outras pessoas também têm. E se algo afeta a vida da população, pode haver uma história ali.
1. Ir a um lugar onde nunca esteve Repórter Heitor Moreira e cinegrafista Jefferson Barboza em gravações para a EPTV. Reprodução/EPTV Uma dica clássica do jornalismo é explorar o desconhecido.
Pegue uma linha de ônibus que você nunca utilizou. Visite um bairro desconhecido. Passe uma manhã em um terminal urbano ou em um equipamento público.
O olhar de quem está vendo algo pela primeira vez costuma perceber detalhes que deixaram de chamar atenção para quem convive diariamente com aquela realidade. 2. Conversar com fontes 'Povo fala'?
Repórter da EPTV Gustavo Biano mostra bastidores de entrevistas nas ruas de Campinas Reprodução/EPTV Uma boa fonte não serve apenas para responder perguntas quando a pauta já existe. Muitas vezes ela ajuda a encontrá-la. Um pesquisador pode apontar uma mudança ambiental.
Um médico pode alertar para o aumento de uma doença. Um urbanista pode identificar impactos de uma obra pública. Vale chamar uma conversa despretensiosa com: servidores públicos; lideranças comunitárias; representantes de associações de bairro; comerciantes; profissionais da saúde; professores; pesquisadores; empreendedores; especialistas de diferentes áreas.
Quem vive um assunto diariamente costuma perceber mudanças antes de todo mundo. Faça perguntas como: "O que mudou recentemente na sua área?", "Que dificuldades você tem enfrentado no seu trabalho?", "Que acontecimento mais te surpreendeu recentemente?", "Que reclamações você mais tem ouvido de colegas?", "O que você faz que ninguém imagina?", "Qual foi o fato mais extraordinário que você viveu recentemente?". 3.
Observar o cotidiano com curiosidade Boas pautas podem surgir nos trajetos mais comuns do dia a dia. O ônibus que sempre atrasa. A obra que nunca termina.
O posto de saúde que mudou o atendimento. A praça que ficou abandonada. Ao observar a cidade, faça perguntas simples: O que mudou?
O que está melhor? O que está pior? O que atrapalha a vida das pessoas?
Por que isso acontece? Reportagem é, muitas vezes, a investigação de uma inquietação. 4.
Ler os comentários das notícias Os comentários em reportagens de portais de notícias e redes sociais podem revelar problemas que ainda não ganharam destaque. Vale acompanhar especialmente as publicações do g1, EPTV e CBN. Muitas vezes, leitores apontam situações recorrentes em bairros, falhas em serviços públicos ou dúvidas que merecem apuração.
Nem toda reclamação vira reportagem, mas elas podem indicar caminhos. 5. Navegar por sites institucionais Muitas pautas podem surgir de divulgações institucionais, ou estar escondidas em documentos oficiais.
Alguns sites que merecem acompanhamento: Prefeitura de Campinas; Câmara Municipal; Governo do Estado de São Paulo; Portais de universidades, como PUC-Campinas e Unicamp; Ministério Público; Tribunal de Justiça. Novos projetos, estudos, mudanças na legislação, investimentos e relatórios podem render reportagens de interesse público. 6.
Explorar bases de dados públicas Fernando Evans, jornalista do g1 Campinas, durante gravação de reportagem. Estevão Mamédio É possível criar boas reportagens a partir da análise de dados. Os números ajudam a identificar tendências, mudanças e fenômenos que nem sempre são percebidos no cotidiano.
Algumas bases disponíveis: SSP (Segurança Pública); IBGE; Caged; DataSUS; Portal da Transparência; Tribunal Superior Eleitoral; INEP. 7. Observar o que está sendo discutido nas redes sociais As redes não devem ditar a pauta, mas podem indicar assuntos relevantes para a população.
Observe quais temas estão mobilizando moradores, reclamações recorrentes, debates locais, vídeos que viralizaram na cidade e assuntos que geram engajamento. O papel do jornalista é verificar se aquela discussão tem relevância pública e merece investigação. 8.
Consultar o Google Trends O Google Trends mostra os assuntos mais pesquisados pelos usuários. A ferramenta pode ajudar a identificar dúvidas frequentes da população, temas em crescimento e mudanças de interesse ao longo do tempo. Muitas vezes, uma busca crescente revela uma pergunta que ainda não foi respondida adequadamente pelo jornalismo.
9. Usar a inteligência artificial para ampliar o olhar Ferramentas de inteligência artificial podem ser um ponto de partida para fazer análise de dados públicos, processamento rápido de documentos de grandes volumes ou, ainda, para enxergar temas maiores e, depois, afunilar a busca. Um exemplo: você pode pedir temas relevantes sobre mobilidade urbana na região de Campinas.
A partir daí, aprofundar em transporte público, depois em uma linha específica de ônibus, depois em uma reclamação recorrente de usuários de um bairro. O importante é não usar a IA para substituir a apuração, mas para ajudar a organizar ideias e depois fazer a verificação com método jornalístico e fontes primárias. 10.
Viver a cidade Quem quer encontrar pautas precisa estar onde a cidade acontece. Vale acompanhar: sessões da Câmara Municipal; audiências públicas; debates; reuniões de conselhos; julgamentos de júri popular; eventos comunitários. eventos culturais É preciso conferir os espaços em que as decisões que afetam a vida da população são discutidas.
O que nunca pode faltar Imagens de bastidores mostram jornalistas do g1 Campinas. Arquivo pessoal Independentemente do tema escolhido, algumas regras valem para qualquer reportagem: seja curioso; converse com pessoas; ouça diferentes lados; faça perguntas até entender completamente o assunto; não tenha vergonha de admitir que não sabe algo; cheque as informações; procure evidências; desconfie de respostas prontas. No fim das contas, o jornalismo é feito para pessoas e sobre pessoas.
Boas pautas costumam surgir quando olhamos a cidade com atenção e perguntamos: "por que isso acontece?". 'Foca EPronto' ➡ Estudantes de Jornalismo da PUC-Campinas interessados em participar do "Foca EPronto", concurso de jornalismo universitário promovido pelo Grupo EP em parceria com a universidade, têm até 7 de setembro para inscrever seus projetos. As inscrições podem ser realizadas através de um formulário online - clique aqui para acessar.
🏆 O grupo vencedor receberá R$ 5 mil, certificado de primeiro lugar e terá o conteúdo finalizado e veiculado nos veículos do Grupo EP, incluindo g1, EPTV e CBN. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região P Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas



