Polícia Federal apreende cerca R$ 7 milhões em Búzios, no RJ; dinheiro estava guardado em três malas Divulgação/PF O empresário Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos Bitcoins", afirmou à Justiça Federal que os cerca de R$ 7 milhões apreendidos pela Polícia Federal que seriam transportados de helicóptero para São Paulo, em abril de 2021, pertenciam a clientes da G.A.S. Consultoria. A declaração foi feita durante o interrogatório do empresário na ação penal da Operação Kryptos, ao qual o Fantástico teve acesso.
Neste processo, Glaidson e a mulher e sócia dele, Mirelis Zerpa, são réus por organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro, como oferta irregular de valores mobiliários (investimentos coletivos), operar instituição financeira sem autorização e gestão fraudulenta. Segundo a investigação, o grupo movimentou ao menos R$ 38,2 bilhões de maneira ilícita no Brasil e no exterior.
Em 28 de abril de 2021, agentes da Polícia Federal encontraram os cerca de R$ 7 milhões acondicionados em três malas de viagem no momento em que seriam embarcadas num helicóptero que sairia de Búzios, na Região dos Lagos do Estado do Rio, com destino a São Paulo. De acordo com as informações divulgadas pela PF à época, o dinheiro era transportado por um casal que afirmou trabalhar para uma empresa especializada em criptoativos sediada em Cabo Frio, cidade vizinha a Búzios.
Os funcionários foram levados para a delegacia para prestar esclarecimentos, mas não conseguiram informar a origem da quantia naquele momento. Média de investimentos era de R$ 100 mil, diz Glaidson 'Faraó dos Bitcoins' diz que fortuna trancada em cofre da PF pode pagar credores No interrogatório, Glaidson afirmou que os recursos apreendidos eram de clientes da G.A.S., com sede em Cabo Frio. O "Faraó dos bitcoins" afirmou que foi à PF e apresentou a origem do dinheiro ao delegado.
"Na oitiva, eu falei pro doutor Guilhermo [Catramby, delegado da PF] o seguinte: 'esses recursos são de pessoas que levam em espécie até o escritório, entregam aos funcionários, fazem o contrato e eu assino. Porque no outro andar já tem uma outra sala, de onde já sai o contrato assinado. E eles vão até o cartório reconhecer firma.
Esse dinheiro não é meu. Esse dinheiro é dos clientes. Aqui está a origem desse dinheiro'".
Glaidson disse que a maioria dos clientes depositava os recursos (que posteriormente seriam investidos em criptomoedas) direto nas contas bancárias da G.A.S. E que alguns clientes faziam o aporte inicial em dinheiro vivo, que era entregue na sede da empresa, em Cabo Frio. Segundo ele, a média dos investimentos iniciais era de R$ 100 mil.
A G.A.S. prometia rendimentos mensais de 10% sobre o capital investido por cada cliente. "Tinha contratos de pessoas com R$ 20 mil, com R$ 10 mil, R$ 7 mil e com R$ 100 mil.
A média era R$ 100 mil". De acordo com Glaidson, os recursos em espécie eram posteriormente enviados para São Paulo para aquisição de criptomoedas. Ele disse que o dinheiro era convertido em ativos digitais por meio de operações realizadas em mesas de negociação conhecidas no mercado como OTC ("over the counter"), onde grandes volumes de criptomoedas são negociados de forma direta e privada entre duas partes, sem passar por uma exchange (corretora).
"Eu recebia o dinheiro ou transferência em espécie. Convertia em bitcoin. Colocava na exchange, na corretora de criptomoeda, operava, colocava as ordens de oferta de venda.
E como eu tinha grande quantidade, eu era considerado uma baleia. Não é ético, mas para o valor que eu estava honrando com as pessoas em moeda fiduciária real, eu tinha que fazer uma manipulação que no mercado hoje é crime manipular o mercado. Mas no mercado de criptomoeda, na época do ocorrido, a baleia manipular o mercado não é ético, mas não é crime.
E eu conseguia extrair do mercado e era sustentável as minhas operações", explicou. O que dizem os citados Em nota, a defesa de Glaidson declarou que "a instrução criminal da referida ação penal vem demonstrando a total inocência dos Réus quanto às acusações feitas pelo Ministério Público Federal, tendo sido comprovado que a G.A.S. Consultoria e Tecnologia LTDA.
atuava mediante manifestação pública da Comissão de Valores Mobiliários no sentido de que as atividades da referida empresa não estavam sob sua alça de regulação, nem tampouco configuravam qualquer crime contra o sistema financeiro nacional". A nota diz ainda que "a interrupção do pagamento dos clientes da G.A.S. Consultoria e Tecnologia LTDA.
se deu em estrito cumprimento à ordem judicial de imediata paralisação das atividades da empresa exarada pela 3ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária da Capital/RJ, ocasião em que foi decretado o bloqueio da universalidade do patrimônio dos acusados".



