Corregedoria e MP fazem operação contra policiais civis de SP O advogado Sidiclei Almeida, investigado por suspeita de atuar como intermediário em um esquema de cobrança de propina envolvendo policiais civis de São Paulo, enviou a foto de uma caixa de papelão com maços de dinheiro e falou em áudio sobre a “caixinha da alegria”, segundo a investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
As mensagens estão relacionadas a um episódio ocorrido em agosto de 2024, quando teria sido negociado o pagamento de R$ 700 mil para a liberação de uma carga apreendida, de acordo com os investigadores. Segundo a apuração, parte do dinheiro teria sido transferida por Pix para contas indicadas por Sidiclei, enquanto outra parcela teria sido paga em espécie. O advogado, segundo a investigação, atuava como intermediário nas negociações entre policiais e empresários.
Ele indicava contas para os pagamentos, orientava sobre os valores que deveriam ser informados às autoridades e participava da operação de devolução das mercadorias. Em uma das mensagens analisadas pelos investigadores, Sidiclei presta contas do dinheiro arrecadado em espécie, menciona ter recolhido valores com duas pessoas e envia uma fotografia de uma caixa de papelão contendo maços de cédulas. Em áudio, ele se refere à caixa como “caixinha da alegria”.
Operação contra policiais que cobravam propina de contrabandistas. Reprodução Alguns dias depois, ainda segundo a investigação, Sidiclei teria enviado a outro investigado a discriminação dos valores arrecadados, indicando que o montante solicitado havia sido alcançado. Os investigadores afirmam ainda que o advogado cobrava a realização dos pagamentos, fornecia chaves Pix e prestava contas sobre os valores arrecadados em espécie.
Estrutura da polícia usada no esquema Integrantes do grupo são suspeitos de usar a própria estrutura da Polícia Civil para monitorar cargas ilegais de eletrônicos e obter vantagens ilícitas. De acordo com a apuração, há suspeita de que recursos da corporação tenham sido utilizados para monitorar cargas que seriam interceptadas. Dependências policiais também teriam servido para armazenar mercadorias e registrar apreensões de apenas parte dos produtos, dando aparência de legalidade às operações.
Entre os alvos identificados pela investigação estão: Bruno Moreno dos Santos — policial civil. É investigado por suspeita de participar da apreensão de uma carga de celulares em 17 de junho de 2024, na qual apenas parte da mercadoria teria sido formalmente apreendida; José Adriano Pereira da Silva Nishi — policial civil. Segundo a investigação, participou das negociações para a liberação irregular de uma carga apreendida; Sidiclei Almeida — advogado.
É apontado como intermediário nas negociações entre policiais e empresários e teria atuado na cobrança e operacionalização dos pagamentos; Jonathan Vieira — empresário e apontado como um dos intermediários do esquema no Paraná. Até a última atualização da operação, quatro dos sete alvos de mandados de prisão haviam sido presos, sendo dois deles policiais civis. Um dos procurados está no Paraguai e outros dois ainda não haviam sido localizados.
O policial civil Vagner de Lima, investigador de 1ª classe lotado no 2º Distrito Policial de Cotia, não teve a prisão decretada, mas foi afastado da função pública, teve as credenciais de acesso aos sistemas policiais recolhidas e está proibido de manter contato com investigados e testemunhas.
Segundo a investigação, foram identificados 13 acessos feitos com o login funcional de Vagner ao sistema Muralha Paulista/Cortex relacionados a um veículo que posteriormente teria sido envolvido no suposto esquema de corrupção. Os investigadores suspeitam que o policial tenha usado o sistema para monitorar um caminhão ligado a um dos episódios apurados. O g1 tenta localizar as defesas dos investigados.
O espaço segue aberto para manifestação.



